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    Cuidados com a saúde mental são fundamentais nos tempos de covid-19

    Psicologia / 8 de setembro de 2020

    Especialistas comentam a necessidade de se dar maior atenção aos efeitos psicológicos causados pela pandemia, em particular à depressão e ao suicídio. Brasil, México e Estados Unidos são os países mais afetados pelas dificuldades impostas com o novo normal

    A humanidade aprende a lidar com o novo normal imposto pela pandemia da covid-19, mas os impactos estão longe de ter fim. A Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia o surgimento de uma nova onda da doença, que começa a gerar ainda mais repercussões com a chegada de um novo semestre no enfrentamento ao coronavírus. Trata-se das consequências para a saúde mental das pessoas. Com o início do setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio, triste realidade que ceifa mais de 800 mil vidas no mundo por ano e é colocada em evidência, em especial entre crianças e adolescentes, que vivem a primeira grande crise global já em meio a tantas mudanças naturais das fases.

    As alterações características da juventude ganharam traços ainda mais abruptos no contexto da pandemia. “A avaliação que a gente faz é de que esse é um momento de incerteza, de instabilidade, um momento diferente, atípico. Todas essas condições são propícias para promover o adoecimento, a ausência da saúde mental”, explica Marisa Helena Alves, conselheira do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e coordenadora a Comissão Intersetorial de Saúde Mental do Conselho Nacional de Saúde (CNS). De acordo com a especialista, é importante saber que cada caso será um. “O isolamento por si só agrava a saúde mental de todas as idades, não existe um grupo específico. Toda mudança brusca e por um longo período pode afetar de alguma forma, não é uma coisa geral, mas algumas pessoas podem sofrer mais que outras”.

    Marisa pondera que entre os fatores que podem levar as crianças a terem dificuldades de lidar com o momento está a falta de rotina e de convívio social. “A criança é movida pela rotina. Isso acabou. Ela não está indo para escola, não está encontrando com os coleguinhas, não está tendo uma rede de convívio. A mesma coisa acontece com os adolescentes, que querem manter a vida social, porém isso coloca em risco a saúde deles e de outras pessoas”, pontua. “Para algumas famílias tem sido uma tormenta ficar em casa com as crianças; para outras está sendo uma maravilha. Então, não é um raciocínio matemático. Dependendo do que a pessoa já traz, a qualidade de vida, o olhar que ela tem sobre o mundo e si mesma, ela vai olhar para essa pandemia e tirar aí lições boas ou extremamente ruins”, analisa.

    Apatia, perda de interesse por atividades e pessoas que anteriormente satisfaziam a criança e o adolescente, além da recusa em participar do contexto familiar, são alguns sinais de que as coisas não estão bem, alerta a psicóloga infantil Luciana Delella. “É importante observar a baixa autoestima, uma tristeza profunda que possa vir a caracterizar o quadro de depressão, já que nós sabemos que esta é uma das principais doenças que desencadeia o suicídio”, completa a profissional, que, reconhece a importância da Campanha do Setembro Amarelo, mas avalia que é necessário ir além.

    “Precisamos falar mais sobre suicídio dentro das nossas casas, falar mais sobre esse tema nas escolas. É importante instrumentalizar os pais para que possam conversar com seus filhos, professores, coordenadores, educadores para que também possam abordar esses assuntos tão importantes dentro das escolas”, afirma Delella.

     

     

    Fonte: correiobraziliense.com

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