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    Explosões de raiva: temperamento ou transtorno?

    Psicologia, Psiquiatria / 30 de abril de 2019

    Quando as explosões de raiva são frequentes, não é mais uma questão de temperamento, e sim um transtorno que deve ser atendido por um profissional de saúde mental, pois pode gerar sérias consequências.
    Quase todo mundo já teve explosões de raiva alguma vez na vida. São momentos em que a raiva toma conta dos nossos pensamentos, nossa linguagem e nossas ações, chegamos até a perder o controle. Há uma perda temporária de consciência e a única coisa que se fixa em nossa mente é o ataque: um desejo irreprimível de ferir.
    Nas explosões de raiva, o nosso cérebro é desligado e a fera que todos temos se acende. É uma faceta selvagem à qual nunca renunciamos completamente. No entanto, muitos de nós conseguem moderar esses instintos furiosos e só raramente eles vêm à luz em condições verdadeiramente extremas. Outros, por outro lado, levam a fera para passear toda vez que são contrariados.
    “Não faça nada com a fúria da paixão; é como ir ao mar no meio de uma tempestade”.
    -Thomas Fuller-

    A pergunta que anima essa reflexão é a seguinte: essas explosões de raiva são simplesmente uma característica do temperamento que algumas pessoas têm? É verdade que existem indivíduos que são mais dados a emoções exaltadas, mas até que ponto isso é normal e em que momento isso se torna o sintoma de um distúrbio?
    As explosões de raiva
    A raiva nasce basicamente de duas fontes. Uma é o medo, em qualquer uma de suas formas: o medo em si, ansiedade, angústia, pânico, etc. A outra é a frustração, também em qualquer das suas formas: não se sentir confortável consigo mesmo, não alcançar objetivos ou desejos, ver que as coisas não são como queremos.
    Quando uma pessoa sente raiva muito frequentemente, o comum é que existam crenças errôneas que a levam a interpretar a realidade de maneira assustadora ou frustrante. Estas são algumas dessas crenças equivocadas:
    • Os outros podem me machucar com facilidade. Isso leva a reações iradas a qualquer sinal de desaprovação ou rejeição.
    • Os outros têm que agir em prol do meu bem-estar e meus desejos. Isso leva a intolerâncias diante das ações dos outros quando contradizem o que queremos, pensamos ou sentimos.
    • Não deve haver obstáculos para alcançar o que eu quero. O aparecimento de alguma barreira desencadeia a raiva e, às vezes, explosões de raiva.
    • Os outros devem ler meus pensamentos e estar cientes dos meus sentimentos. Se eles não entenderem instantaneamente ou se não levarem em conta meu estado emocional, vou tratar a situação como um ataque.
    • Não posso nem devo admitir que me sinto frustrado. Isso é para os fracos. Eu sempre tenho que me mostrar forte, mesmo que assim acumule ansiedade em excesso.
    O ciclo da raiva
    Explosões de raiva são o resultado de ansiedades ou medos acumulados. Começam a incubar quando não atendemos a pequenos desconfortos que pouco a pouco se tornam frequentes. Tudo começa com um leve desconforto consigo mesmo, com alguém em particular ou com o mundo em geral.
    Com o tempo, a pessoa sente esse desconforto e o processa, mas não o expressa ou administra. Fica com a ideia de que isso será diluído ou de que deveria simplesmente seguir em frente. Mas como a realidade que a incomoda não muda, os primeiros sintomas da raiva aparecem. Críticas ácidas, sarcasmos ou pequenas expressões de rejeição.
    Apesar disso, o afetado continua tentando não prestar muita atenção à situação desconfortável. Tenta virar as costas, ignorá-la ou afastar-se dela. A qualquer momento há um gatilho que desencadeia a explosão de raiva e é aí que tudo sai de controle, dando origem a novos ciclos de conflito e raiva.

    O distúrbio explosivo intermitente

    O distúrbio explosivo intermitente é uma condição mental na qual existem expressões frequentes de raiva extrema em resposta a situações que não justificam tais explosões. Do ponto de vista psiquiátrico, é classificado como transtorno de controle de impulsos. Cleptomania, jogos de azar e piromania, entre outros, pertencem a esse mesmo grupo.
    Aqueles que sofrem desse distúrbio apresentam breves surtos de raiva, nos quais experimentam uma sensação de liberação e/ou prazer ao ter explosões de raiva. No entanto, alguns minutos depois, eles sentem remorso. O mais comum é que eles destruam objetos ou ataquem fisicamente as pessoas. O gatilho geralmente é algo sem importância. Além disso, costumam ser pessoas com altos níveis de ansiedade.
    Com tudo que vimos, fica claro que se uma pessoa tem explosões frequentes de raiva sem razão e se torna violenta, ela precisa de ajuda profissional. Não é uma questão de temperamento, mas um problema que vai além e requer atenção antes de alcançar consequências mais sérias.

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